Viajar de motorhome no Alasca foi a melhor decisão da nossa viagem de 10 anos de casados. Foram quase 30 dias, de 5 de setembro a 2 de outubro de 2023, saindo de Anchorage e subindo até o Círculo Polar Ártico, com a casa nas costas. Dormimos onde a paisagem pedia, cozinhamos com vista para montanha e nunca precisamos procurar hotel.
Neste guia contamos quanto custou, como funciona o motorhome por dentro, onde dormimos de graça, como resolvemos água e esgoto e o que faríamos diferente. É o guia que a gente queria ter lido antes de ir.
Sem tempo para ler? Nossas escolhas:
- Planejar a rota e os campings: Roadtrippers Plus
- Achar lugar para dormir de graça: iOverlander (gratuito)
- Internet na estrada: Holafly ou Airalo
- Seguro viagem: Seguros Promo com cupom TEMAISEME5

Por que escolhemos viajar de motorhome no Alasca
Nossa ideia inicial era alugar carro e dormir em hotel. Na ponta do lápis, o motorhome saiu mais barato, e ainda trazia algo que o carro não dava: liberdade. Não precisávamos chegar a um lugar à noite porque tinha reserva. Se um lugar era lindo, ficávamos mais um dia. Se não era, seguíamos.
Em setembro isso pesou ainda mais. No fim da temporada, muitos hotéis e restaurantes do interior já fecham, e ter cama, cozinha e banheiro com a gente tirou essa preocupação da viagem. Outra vantagem que só quem já fez mochilão entende: nunca mais fazer e desfazer mala.
Quanto custa alugar um motorhome no Alasca
Alugamos na Cruise America, com retirada e devolução em Anchorage, e pagamos tudo como clientes normais. Os custos foram mais ou menos estes:
- Diária: cerca de US$ 100 sem seguro. Com seguro e taxas, saiu por uns US$ 140 a 150 por dia.
- Seguro: uns US$ 500 no mês todo.
- Milhas: a quilometragem é cobrada à parte, em pacotes. Compramos 3 mil milhas e usamos todas.
- Kits: o kit de cozinha (panelas, pratos, talheres) e o de roupa de cama e toalhas são alugados à parte. Cadeiras de camping também.
- Gerador: cobrado por hora de uso. Nunca ligamos.
- Combustível: à parte. Pagamos de US$ 4,40 o galão em Fairbanks a US$ 7,50 em Coldfoot, no Ártico. Explicamos tudo sobre como abastecer nos EUA.
- Propano: enchido nos postos, por poucos dólares. Ele aquece a água e o fogão e faz a geladeira funcionar sem energia.
No total, o mês saiu por volta de US$ 5 mil, somando diárias, seguro e milhas. Não tivemos taxa de retirada nem de limpeza. A diária varia muito com a data: os meses de pico, junho e julho, são os mais caros, e setembro, o fim da temporada, costuma ser mais barato. Compare com antecedência.
Comparando com carro e hotel, fazendo as contas antes da viagem, o motorhome saiu mais em conta para nós dois, porque já resolvia hospedagem e boa parte das refeições. Se mesmo assim preferir carro, compare preços na Rentcars.
Como é o motorhome por dentro

O nosso era para quatro pessoas, montado sobre uma caminhonete Ford automática. Para um casal, sobrou espaço. Tinha:
- Duas camas: uma em cima da cabine, que deixamos montada a viagem toda, e a mesa da sala, que vira outra cama de casal.
- Banheiro completo: privada e chuveiro com água bem quente. Para mim, que sou pequena, o chuveiro era ótimo. O Marcelo não cabia em pé embaixo dele.
- Cozinha: pia grande, fogão de três bocas, micro-ondas (que só funciona com gerador ou energia de camping), exaustor e uma geladeira grande, que funciona a gás ou na energia.
- Armários: muitos, inclusive um ótimo para guardar as malas. O ponto fraco: eles são fundos e sem divisórias, então o que fica solto lá dentro chacoalha quando o carro anda.
- Tomadas USB na cabine: foram o que mais usamos. Carregavam celular, câmera e até o computador com o motor ligado. As tomadas comuns só funcionam com gerador ou ligado à energia de um camping.
Mostramos cada canto no tour em vídeo, gravado no último dia:
Onde dormir de motorhome no Alasca
Só pagamos camping duas vezes em quase um mês. No resto, dormimos de graça em lugares permitidos:
- Estacionamentos de supermercado e lojas: dormimos em estacionamentos do Fred Meyer, do Walmart e até de um Domino’s. Muitos permitem pernoite de motorhome, mas confira as placas ou pergunte.
- Lugares selvagens: áreas abertas na beira das estradas, mirantes e terrenos de cascalho. No Alasca, encontramos lugares seguros e lindos com facilidade.
- Campings fora de temporada: em setembro, vários campings param de cobrar e ficam abertos, sem serviços, mas com banheiro.
- Campings pagos: no KOA de Seward, pagamos US$ 80 com energia, água e esgoto. Num camping estadual de Fairbanks, US$ 20, sem nenhum serviço.
Para achar tudo isso, usamos o iOverlander, um aplicativo gratuito e colaborativo, com pontos de pernoite, água, esgoto e postos marcados por outros viajantes. Foi a nossa mão na roda. Ele é ótimo para o dia a dia, mas é limitado para planejar a viagem toda. Para montar a rota antes, com campings, paradas e distâncias, o mais completo é o Roadtrippers Plus.



Uma regra de ouro: dentro de cidades pequenas, como Talkeetna, pernoitar estacionado na rua não é permitido. Procure um ponto fora do centro.
Água, esgoto e gás: como funciona na prática
Foi o que mais exigiu atenção. O motorhome tem três reservatórios: água limpa, água cinza (da pia e do chuveiro) e água negra (da privada). A água limpa acaba e os outros dois enchem, então de tempos em tempos é preciso reabastecer e esvaziar.
- Autonomia curta: com um banho rápido para cada um e a louça do dia, a água acabava em uns dois dias.
- Onde encher e esvaziar: no Alasca, muitos postos de gasolina têm água e dump station, o ponto para esvaziar os tanques, quase sempre de graça. O iOverlander mostra onde.
- Ordem para esvaziar: primeiro a água negra, depois a cinza, que limpa a mangueira. A mangueira precisa voltar limpa para a locadora.
- Gás propano: enchido em postos. Gastamos pouco.


O erro que cometemos: o motorhome tem duas entradas de água. Uma enche o reservatório; a outra liga direto na torneira do camping. Na segunda noite, pagamos US$ 80 no KOA, usamos só a entrada direta e saímos de lá com o reservatório vazio. Ao chegar num camping, encha primeiro o reservatório e só depois ligue a água corrente.
No norte, na Dalton Highway, não há onde reabastecer nem esvaziar, e ficamos dois dias sem banho. Se for para lá, saia com o tanque de água cheio e leve galões extras.
Motorhome no Alasca no frio: como dormimos
Em setembro, as noites já são geladas: na noite em que vimos a aurora boreal em Fairbanks, fazia -6 °C. O motorhome tinha dois aquecedores: um que dependia do gerador, cobrado por hora de uso, que nunca ligamos, e outro que usamos na noite da aurora. Mesmo esse, a gente ligava para esquentar e desligava, porque não sabíamos se também era cobrado. O que salvou foi dormir na cama de cima da cabine, que é menor e esquenta mais fácil, e pendurar um cobertor que levamos de casa entre a cabine e a parte de trás, para segurar o frio e dar privacidade. Teve noite em que acordamos com calor.
Na direção, uma descoberta mudou a viagem: o botão “FLR” do ar quente da cabine manda o ar para os pés. Até descobrir isso, dirigíamos com o pé congelando.
Dirigir um motorhome no Alasca
Nós dois dirigimos, e foi tranquilo. O carro é automático, a direção é como a de uma caminhonete grande e as estradas principais do Alasca são boas e vazias, principalmente fora do verão. Os cuidados são com a altura, o vento e as curvas em estrada de terra.
A única frustração foi não conseguir ir mais ao norte. Na Dalton Highway, nos disseram que dali em diante a estrada ficava ruim demais para o nosso motorhome, com subidas de montanha e pedras, e paramos em Wiseman. Antes de alugar, confira no contrato quais estradas são permitidas: muitas locadoras proíbem estradas de cascalho como a Dalton. Para chegar a Deadhorse, só de caminhonete ou 4×4 preparado.


O que levar e o que comprar ao retirar o motorhome
- Um cobertor extra: para separar a cabine da parte de trás e segurar o frio.
- Coador ou cafeteira: o kit de cozinha não tem nada para fazer café.
- Potes: o kit não vem com recipientes para guardar comida.
- Esponja, saco de lixo e produto para a privada química: não vêm no kit e se compram em qualquer supermercado.
- Jogos americanos: não vêm e ajudam a manter a mesa limpa.
- Cartão internacional: pagamos quase tudo por aproximação com o cartão da Nomad (código TM20). No mês inteiro, usamos dinheiro vivo só no fim, para gastar o pouco que tínhamos sacado.
- Internet: um chip virtual, como Holafly ou Airalo, para usar o iOverlander e o mapa. Veja nosso guia de eSIM para o Alasca.
Como a retirada tem horário fixo, quase todo mundo precisa de uma noite de hotel em Anchorage antes de pegar o motorhome e outra depois de devolver. Indicamos as melhores regiões no guia de onde ficar em Anchorage, e dá para ver as opções nos hotéis de Anchorage no Booking.
Vale a pena viajar de motorhome no Alasca?
Para nós, valeu muito, principalmente pela época. A palavra que define é liberdade: parar onde quiser, almoçar com vista, mudar o plano no meio do caminho e carregar tudo o que precisa o tempo todo.
- Recomendamos para quem: gosta de flexibilidade, de natureza e de improvisar; viaja em casal ou família; quer economizar com hospedagem e comida.
- Não recomendamos para quem: faz questão de luxo e conforto, não quer se preocupar com água e esgoto ou quer chegar ao extremo norte, que exige 4×4.
Montamos o roteiro completo, cidade por cidade, no nosso roteiro pelo Alasca. No caminho, não deixe de ver Seward, Homer, os ursos no Katmai, o Denali, Talkeetna, o Magic Bus e a aurora boreal em Fairbanks. E não viaje sem um seguro viagem para o Alasca.
Perguntas frequentes sobre motorhome no Alasca
Em setembro de 2023, pagamos cerca de US$ 100 por dia sem seguro, ou uns US$ 140 a 150 com seguro e taxas, mais o pacote de milhas, os kits de cozinha e roupa de cama e o combustível. No pico do verão, os preços sobem.
Em campings pagos, campings estaduais, estacionamentos de supermercado que permitem pernoite, como Fred Meyer e Walmart, e em áreas selvagens permitidas. O aplicativo iOverlander mostra os pontos.
Para motorhomes de aluguel de tamanho comum, a carteira de motorista normal costuma bastar. Confirme as exigências com a locadora antes de reservar.
Em dump stations, que existem em muitos postos de gasolina e campings do Alasca, muitas vezes de graça. O iOverlander mostra onde ficam.
Depende do contrato da locadora, porque muitas proíbem a Dalton Highway. Para ir além de Wiseman, até Deadhorse, o recomendado é caminhonete ou 4×4.