A Dalton Highway foi a parte mais selvagem da nossa viagem de motorhome pelo Alasca. De 22 a 25 de setembro, subimos a estrada desde Fairbanks, cruzamos o Círculo Polar Ártico e chegamos até Wiseman. Pegamos de tudo: sol no começo, céu fechado na placa do Ártico e neve na volta. E a paisagem inteira estava amarela.
Dalton Highway em resumo: é uma estrada de 666 km que liga o norte de Fairbanks a Deadhorse, no campo de petróleo de Prudhoe Bay, na costa do Oceano Ártico. Foi construída em 1974 para servir o oleoduto Trans-Alasca, que acompanha a estrada quase o caminho todo. É a única estrada do Alasca que cruza o Círculo Polar Ártico, tem longos trechos de cascalho, quase nenhum serviço e muito caminhão. A série Ice Road Truckers mostrou parte dela.
Sem tempo para ler? Nossas escolhas:
- Sem dirigir: Passeio de um dia ao Círculo Polar Ártico saindo de Fairbanks (Viator)
- Carro: Rentcars, confirmando se a locadora permite a Dalton
- Seguro viagem: Seguros Promo com cupom TEMAISEME5

Dá para dirigir na Dalton Highway com carro alugado?
Muitas locadoras do Alasca proíbem a Dalton Highway no contrato, por causa do cascalho, das pedras e da distância de qualquer socorro. Algumas também não cobrem danos em estradas de terra. No nosso caso, ninguém da locadora comentou nada sobre isso, e fomos de motorhome. Mas antes de ir, pergunte à sua locadora se a Dalton é permitida e se o seguro vale ali. Há empresas que alugam carros preparados e liberados para a estrada, como as listadas pelo guia Alaska.org.
Quem não quer dirigir pode ir de passeio: vans saem de Fairbanks e fazem o trajeto até o Círculo Polar Ártico em um dia, e há versões que voltam à noite procurando a aurora boreal.
Nossa viagem pela Dalton Highway
Saímos de Fairbanks com sol e pegamos a estrada do jeito que imaginávamos: subidas e descidas de cascalho no meio de morros cobertos de árvores amarelas, sem ninguém por quilômetros. O oleoduto aparece o tempo todo ao lado da estrada, um tubo prateado gigante cortando a paisagem. É impossível não ver.

O momento mais marcante foi um urso que cruzou a estrada correndo na nossa frente. Uns caminhoneiros que estavam por perto viram também e vibraram junto com a gente.
Ponte do rio Yukon
A primeira parada foi no Yukon River Camp, logo depois da ponte sobre o rio Yukon, na milha 56. É um dos poucos lugares da estrada com combustível e comida, e colocamos gasolina ali.

Círculo Polar Ártico
Na milha 115 fica a placa do Círculo Polar Ártico, na latitude 66°33′. Quando chegamos, o céu tinha fechado, mas estar ali foi emocionante. Um esquilo estava na cerca de madeira da placa, comendo tranquilo enquanto a gente fotografava.


Coldfoot
Coldfoot, na milha 175, é a última parada com serviços antes de quase 400 km de nada até Deadhorse. Tem posto, restaurante, hospedagem e o Arctic Interagency Visitor Center, um centro de visitantes que funciona só no verão. Abastecemos de novo e almoçamos no Coldfoot Camp, a parada dos caminhoneiros. Lá dentro, há uma mesa reservada só para eles: ninguém mais pode sentar ali. Na Dalton, os caminhoneiros são tratados como heróis. Perto dali, um ônibus escolar antigo enferrujava no meio do mato. Dormimos no motorhome na beira da estrada, perto de Coldfoot.



Wiseman, o nosso ponto mais ao norte
Wiseman fica a uns 15 km ao norte de Coldfoot, numa estradinha que sai da Dalton. É um vilarejo minúsculo, nascido na corrida do ouro do começo do século XX, com cabanas de tronco e pouquíssimos moradores. Quando passamos, estava vazio: entramos no vilarejo, tiramos fotos e seguimos. Perto dali, aos pés da Sukakpak Mountain, paramos no meio do asfalto para a foto que abre este artigo. Na entrada do vilarejo, uma placa feita de chifres de alce avisa que Wiseman fica a 63 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico.




Wiseman foi o ponto mais ao norte da nossa viagem. Com neve, o motorhome não passaria pelas montanhas da Brooks Range, e o Atigun Pass, o trecho mais alto e perigoso da estrada, ainda estava por vir. Então demos meia-volta.
A volta com neve
Na volta, o tempo virou. Tudo ficou branco: os pinheiros e os arbustos cobertos de geada, como se alguém tivesse pintado a paisagem. Paramos para tirar fotos, felizes da vida com a primeira neve.



O nosso perrengue: água
O único perrengue foi a água. O tanque do motorhome não tinha água suficiente para todos os dias, e não há onde reabastecer na estrada. Resultado: ficamos sem banho. Se for de motorhome, saia de Fairbanks com o tanque de água cheio e leve galões extras.
Principais paradas da Dalton Highway
A estrada começa na Elliott Highway, perto de Livengood, a cerca de 130 km de Fairbanks. As distâncias são contadas em milhas a partir dali:
- Milha 56, ponte do rio Yukon: combustível e comida no Yukon River Camp.
- Milha 115, Círculo Polar Ártico: a placa e uma área para estacionar.
- Milha 175, Coldfoot: combustível, restaurante, hospedagem e centro de visitantes (só no verão).
- Milha 188, Wiseman: vilarejo histórico a poucos quilômetros da estrada.
- Milha 203, Sukakpak Mountain: uma montanha de calcário enorme, na beira da estrada. É a da nossa foto sentados no asfalto.
- Milha 244, Atigun Pass: o ponto mais alto de uma estrada no Alasca, com 1.444 metros, na Brooks Range.
- Milha 414, Deadhorse: o fim da estrada, na região de Prudhoe Bay.
O Oceano Ártico não é acessível de carro: os campos de petróleo de Prudhoe Bay são área restrita, e para chegar à praia é preciso reservar um tour em Deadhorse com pelo menos 24 horas de antecedência.

Dicas para dirigir na Dalton Highway
- Combustível: só há postos no rio Yukon, em Coldfoot e em Deadhorse. Abasteça sempre que puder e leve um galão extra.
- Caminhões: passam mais de cem por dia no verão, pesados e rápidos. Dê passagem, reduza a velocidade quando cruzar com eles e cuidado com as pedras que eles levantam.
- Pneus: o cascalho fura pneu com facilidade. Leve estepe em bom estado e saiba trocar.
- Sem sinal: não há sinal de celular na maior parte da estrada. Avise alguém do seu roteiro e baixe mapas offline.
- Comida e água: leve comida e água para todos os dias, com sobra.
- Clima: neva em qualquer mês, e o tempo muda rápido. Leve roupa de frio mesmo no verão.
- Seguro viagem: socorro e remoção médica no Ártico custam caro. Faça um seguro viagem para o Alasca.

Quando ir à Dalton Highway
A melhor época é do fim de maio a meados de setembro, com a estrada mais seca, os serviços abertos e dias longos. No começo do verão, o sol quase não se põe. Em setembro, como fomos, a paisagem fica amarela, há menos movimento e já dá para ver aurora boreal à noite, mas a neve pode chegar a qualquer momento. No inverno, a estrada é para quem tem muita experiência com gelo.


Quantos dias para fazer a Dalton Highway
Para ir até o Círculo Polar Ártico e voltar a Fairbanks, dá para fazer em um dia longo. Até Coldfoot e Wiseman, como fizemos, reserve três ou quatro dias. Até Deadhorse e o Oceano Ártico, conte pelo menos quatro ou cinco dias.
A Dalton começa perto de Fairbanks, onde vimos a aurora boreal, e fecha bem um roteiro que passa pelo Denali. Veja o caminho completo no nosso roteiro pelo Alasca e outras ideias no guia o que fazer no Alasca.

Perguntas frequentes sobre a Dalton Highway
No norte do Alasca. Ela começa na Elliott Highway, perto de Livengood, ao norte de Fairbanks, e vai até Deadhorse, em Prudhoe Bay, num total de 666 km.
Só em parte. Há trechos asfaltados, mas boa parte da estrada é de cascalho, com buracos, lama e pedras soltas.
De carro, não. A estrada termina em Deadhorse, e para chegar à praia é preciso reservar um tour com pelo menos 24 horas de antecedência, porque os campos de petróleo são área restrita.
Só na ponte do rio Yukon (milha 56), em Coldfoot (milha 175) e em Deadhorse (milha 414). Entre Coldfoot e Deadhorse são quase 400 km sem nenhum serviço.
Depende da locadora. Muitas proíbem ou não cobrem danos em estradas de cascalho. Pergunte antes de alugar ou procure uma empresa que libere a estrada.