A cidade vai ficando para trás aos poucos. Primeiro somem os carros, depois o barulho do trânsito, e em menos de 15 minutos de barco saindo do bairro do Condor, a floresta amazônica ocupa todo o campo de visão. Foi assim que chegamos na Ilha do Combu pela primeira vez, e esse contraste entre a capital paraense e a ilha é o que fica.
Passamos o dia inteiro por lá, sem tour organizado, sem roteiro fechado. Atravessamos de barco, nadamos no Rio Guamá, almoçamos peixe amazônico num restaurante à beira d’água e saímos com chocolate artesanal na mochila. A ilha tem pouquíssima infraestrutura turística, e é exatamente isso que a torna especial. Se você está em Belém e quer uma experiência amazônica de verdade, sem precisar pegar avião nem passar a noite longe da cidade, a Ilha do Combu é o programa certo.
Índice desta matéria
O que é a Ilha do Combu
A Ilha do Combu é a quarta maior ilha do Pará e fica no Rio Guamá, praticamente dentro de Belém. A travessia dura cerca de 15 minutos de barco saindo do bairro do Condor, o que cria uma situação curiosa: você está a menos de um quilômetro da capital paraense, mas o ambiente é floresta densa, igarapés e silêncio.
Cerca de 900 moradores vivem na ilha. A maioria depende da pesca, da agricultura familiar e, cada vez mais, do turismo. O cacau cultivado na ilha é matéria-prima para uma produção de chocolate artesanal que ganhou reconhecimento nacional, com produtores locais que controlam todo o processo, da árvore ao tablete.
O que mais chama atenção é o que não tem: sem carro, sem asfalto, sem loja de conveniência. O transporte é todo feito por barco, inclusive o de alguns restaurantes, que buscam os clientes no trapiche do Condor antes do almoço. Isso não é um problema a ser contornado. É o ritmo da ilha.


Barcos são o principal meio de transporte na Ilha do Combu (Fotos @temaiseme)
Por que visitar a Ilha do Combu?
Se você tem interesse em turismo natural, é apaixonado por gastronomia típica, valoriza as origens desse nosso Brasil e adora um chocolatinho, tem aí 4 motivos para visitar a Ilha do Combu.
Conhecer as riquezas da Amazônia brasileira deveria ser um ponto de partida para todo turista, considerando a quantidade de cultura que encontramos por lá.
Vivenciar o dia-a-dia de uma população que respira a floresta e sabe, acima de tudo, valorizá-la, é estar em contato com a nossa essência e pode ser um verdadeiro e profundo aprendizado.
Não são poucos os turistas, e nós nos incluímos nisso, que se sentem totalmente revigorados após os passeios no Combum. A energia da Amazônia invade os nossos circuitos, é algo incrível.
Você pode ver que não é nenhum exagero de nossa parte assistindo o nosso vídeo da viagem. Aproveite e já se inscreve no nosso canal pra não perder nossas aventuras pelo mundo!
Como chegar na Ilha do Combu
Por conta própria (como fomos)
A forma mais simples é ir até o bairro do Condor, em Belém. No trapiche, há barqueiros disponíveis que fazem a travessia regularmente. O trajeto dura em torno de 15 minutos, dependendo da correnteza no Rio Guamá.
Recomendamos combinar a ida e a volta na hora, já que os barqueiros fixos do trapiche conhecem bem os horários de movimento. O valor da travessia era R$7 quando fomos, mas pode ter mudado, então confirme diretamente com o barqueiro no local antes de embarcar.
Uma opção prática é ligar com antecedência para o restaurante que você escolheu. Vários deles têm barco próprio e buscam os clientes no trapiche do Condor sem custo adicional, o que facilita bastante a logística.
Com tour organizado
Para quem prefere ir com tudo resolvido, há passeio de barco saindo de Belém que inclui a travessia e a visita à ilha. É uma boa opção para quem não quer se preocupar com horários nem com encontrar barqueiro no trapiche:
Passeio de barco para a Ilha do Combu pela Civitatis


Além dos barcos para chegar até a ilha, os restaurantes possuem seus barcos próprios para transportar os clientes. (Fotos @temaiseme)
O que fazer na Ilha do Combu
Nadar no Rio Guamá
Fomos ao rio e ficamos um bom tempo nadando. A correnteza estava boa, a água estava fresca e o visual de ter floresta dos dois lados enquanto você nada não tem equivalente. É uma das experiências mais amazônicas que você pode ter sem sair da região de Belém.
Dito isso, é importante ser honesto: o Rio Guamá tem correnteza. Não é piscina nem praia de mar calmo. Quem não tem prática em rios deve ficar próximo às margens e não se afastar da área monitorada pelos restaurantes.
Chocolaterias artesanais e o passeio pelos cacaueiros
O cacau cultivado na ilha é transformado em chocolate artesanal pelos próprios moradores, e a qualidade surpreende quem não conhece esse processo. Uma das principais referências é a Dona Nena, conhecida como Filha do Combu, cujos chocolates já foram provados e elogiados por chefs como Alex Atala e Tiago Castanho.
Além de comprar e provar, vale fazer o passeio pelos cacaueiros, onde moradores explicam todo o processo de produção, da colheita à fermentação. Saímos de lá com uma aula e com o chocolate na mochila.



Casa do Chocolate: loja de chocolates artesanais da Dona Nena, também conhecida como Filha do Combu (Fotos: Viajando com Livia)
Almoçar num restaurante à beira do rio
O prato principal do dia na Ilha do Combu é literalmente o prato principal do almoço. Os restaurantes ficam à beira do rio, com estrutura simples e cardápio focado em peixes amazônicos preparados por quem cresceu cozinhando esses ingredientes. Temos mais detalhes na seção de gastronomia abaixo.
Trilhas pela mata
Alguns moradores oferecem trilhas guiadas pela floresta da ilha. O Saldosa Maloca, por exemplo, tem trilha com tirolesa no meio da floresta para quem quer ir além da mesa do restaurante. É uma boa opção para quem quer conhecer de perto a vegetação amazônica que cobre a maior parte do território.
Passeio pelos igarapés
Para conhecer os braços do Rio Guamá e os igarapés que cortam a ilha, o passeio de barco é a melhor forma. Disponível como tour organizado saindo de Belém:
Passeio de barco pelos igarapés da Ilha do Combu
Gastronomia na Ilha do Combu
A gastronomia é o coração da visita. Os restaurantes ficam à beira do rio, com estrutura simples e visual que já vale a travessia. O cardápio gira em torno de peixes amazônicos, principalmente tucunaré, tambaqui e filhote, preparados de formas que você não encontra nos restaurantes urbanos de Belém. Muitos chefs renomados já passaram pela ilha justamente por isso.
Almoçamos na ilha e foi uma das melhores refeições que tivemos no Pará. O tipo de prato que justifica a travessia por si só.
Saldosa Maloca
Um dos mais tradicionais da ilha, o Saldosa Maloca combina peixe amazônico com vista direta para o rio. Para quem quiser ir além do almoço, o restaurante também oferece trilha na floresta com tirolesa.
Casa Kombu
Ambiente confortável com cadeiras de praia e espreguiçadeiras, boa para quem quer transformar o almoço num happy hour com música ao vivo. Recomendamos fazer reserva com antecedência, especialmente nos fins de semana.
Kakuri
Boa opção para quem busca culinária típica com preço justo. Dá para almoçar bem com vista para Belém ao fundo e ainda descansar na rede depois.
Casa Verde
Ambiente mais tranquilo, no meio de um jardim de flores. Boa pedida para casais ou para quem quer mais silêncio. O atendimento é um dos mais elogiados da ilha, e os pratos de peixe são referência.
Melhor época para visitar
Belém tem clima equatorial, com chuvas ao longo do ano inteiro. O chamado “inverno amazônico”, de janeiro a junho, concentra as chuvas mais intensas. São pancadas fortes, mas normalmente passageiras. A floresta fica mais verde e o rio mais cheio nesse período.
De julho a dezembro, os dias são mais secos e ensolarados, o que facilita a visita e o banho de rio. Esse é o período mais fácil para quem vai pela primeira vez.
A ilha pode ser visitada em qualquer época. O mais importante é chegar cedo, de manhã, para aproveitar o dia inteiro antes de voltar para Belém no final da tarde. Nos fins de semana e feriados prolongados, a ilha fica movimentada com moradores da capital. Quem prefere mais tranquilidade tem mais sorte num dia de semana.
Onde ficar
A grande maioria dos visitantes passa o dia na Ilha do Combu e volta para dormir em Belém, que fica a 15 minutos de barco. A ilha tem infraestrutura mínima de hospedagem, o que não é um problema para visitas de um dia.
Para quem quer dormir na ilha ou prefere se hospedar em Belém e usar a cidade como base, preparamos um guia dedicado com as melhores opções: onde ficar na Ilha do Combu.
Perguntas Frequentes
De barco saindo do bairro do Condor, em Belém. A travessia dura cerca de 15 minutos. No trapiche há barqueiros disponíveis. Vários restaurantes da ilha também buscam os clientes com barco próprio, basta ligar antes.
Um dia é suficiente para conhecer a ilha, almoçar num restaurante à beira do rio, nadar e visitar uma chocolateria. Vale chegar pela manhã e voltar no fim da tarde.
Sim, especialmente para quem está em Belém e quer uma experiência amazônica acessível. A combinação de gastronomia típica, chocolate artesanal, banho de rio e floresta a 15 minutos da capital é difícil de encontrar em outro lugar.
Peixe amazônico é o destaque: tucunaré, tambaqui e filhote preparados pelos moradores locais nos restaurantes à beira do rio. O chocolate artesanal produzido com cacau cultivado na própria ilha também é uma das melhores pedidas.
Sim. O Rio Guamá banha a ilha e o banho de rio é uma das experiências da visita. É rio com correnteza, não piscina. Quem não tem prática deve ficar próximo às margens.
Não. Fica a cerca de 15 minutos de barco saindo do bairro do Condor, praticamente dentro da cidade.
As matérias de vocês são ótimas. Acabei de chegar do Pará, mas fui pra Santarém, Alter, FLONA…
É possível hospedar no Combu?
Obrigada Roselia, ficamos muitos felizes em saber que ajudamos. Até onde sei não é possível se hospedar no Combu, não tem nada de hospedagem lá. Ah não ser que você se hospede na casa de alguém local. Mas não tenho ninguém para indicar, infelizmente.