Início > Brasil > Norte > Tocantins > O que fazer no Jalapão: fervedouros, dunas e turismo comunitário

O que fazer no Jalapão: fervedouros, dunas e turismo comunitário

Se você está pesquisando o que fazer no Jalapão, prepare-se para boiar em água que não deixa afundar, subir dunas cor de laranja no meio do cerrado e tomar banho em cachoeiras de água verde-clara. O Jalapão fica no leste do Tocantins e é um dos destinos de natureza mais diferentes do Brasil.

A gente fez o Jalapão de um jeito pouco comum: com a Rota Nativa, uma agência de turismo comunitário criada pela Ilana, moradora da comunidade quilombola Mumbuca. Saímos de Palmas de 4×4, rodamos a região por cinco dias e dormimos nas casas de moradores da comunidade, a mesma que criou o artesanato de capim dourado. Neste guia contamos o que fizemos, o que ficou de fora e como planejar a sua viagem.

Sem tempo para ler? Nossas escolhas:

Onde fica o Jalapão

O Jalapão é uma região do leste do Tocantins, perto da divisa com a Bahia, o Piauí e o Maranhão. Boa parte das atrações fica dentro do Parque Estadual do Jalapão e no entorno das cidades de Mateiros, São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins. Mateiros, a principal base, fica a cerca de 300 km de Palmas, a capital, onde está o aeroporto mais próximo.

A paisagem é de cerrado aberto, com chapadas de arenito, rios de água transparente e muito pouca gente. As distâncias são grandes e as estradas, na maior parte, de areia e chão batido.

Melhor época para fazer o Jalapão

A melhor época é a seca, de maio a setembro. Nesses meses as estradas de areia ficam mais fáceis, os rios e fervedouros estão mais transparentes e quase não chove. Agosto e setembro são os meses mais secos e quentes, com umidade do ar muito baixa: leve hidratante, protetor labial e bastante água.

Na época das chuvas, de outubro a abril, o cerrado fica mais verde e há menos turistas, mas a água dos rios pode ficar turva e alguns trechos de estrada ficam difíceis. Em qualquer época, evite feriados prolongados e férias escolares, quando as filas nos fervedouros aumentam.

Como chegar ao Jalapão

O caminho começa em Palmas, que recebe voos de várias capitais. De lá até Mateiros são cerca de 300 km, e o asfalto acaba logo depois de Ponte Alta do Tocantins. Dali em diante, a estrada é de areia e chão batido, e só dá para rodar com 4×4.

Por isso, a maioria das pessoas vai com agência, saindo de Palmas com motorista e carro traçado. Foi o que fizemos: a Rota Nativa nos buscou em Palmas e cuidou do transporte durante toda a viagem. Ir por conta própria é possível para quem tem 4×4 e experiência em areia, mas o sinal de celular é fraco em boa parte do caminho e muitos atrativos ficam em propriedades particulares, sem placa.

Tour pelo Jalapão saindo de Palmas: de 3 a 6 dias, com transporte 4×4 e os principais atrativos do parque.

Conferir datas

O que fazer no Jalapão

Abaixo está o que fazer no Jalapão: os lugares que visitamos, com a nossa experiência, e no fim os atrativos que ficaram fora do nosso roteiro.

Cânion Sussuapara

O Cânion Sussuapara fica perto de Ponte Alta do Tocantins, e costuma ser a primeira parada de quem vem de Palmas. É uma fenda estreita na rocha, com paredes cobertas de samambaias e água pingando do alto. A caminhada é curta e a sombra é bem-vinda depois de horas de estrada.

Cachoeira da Velha

A Cachoeira da Velha, no Rio Novo, é uma das maiores quedas da região, com cerca de 15 metros e formato de ferradura. O banho não é permitido por causa da força da água, e a visita é feita de um mirante de madeira, de frente para a queda. Mesmo sem nadar, vale a parada pelo tamanho da cachoeira.

Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão
A Cachoeira da Velha, vista do mirante (Foto: @temaiseme)

Prainha do Rio Novo

Perto da Cachoeira da Velha fica a Prainha do Rio Novo, uma faixa de areia na beira do rio com água calma. Como na cachoeira o banho não é permitido, é aqui que se nada, e dá para combinar as duas na mesma visita.

Faixa de areia na beira do Rio Novo, no Jalapão
Areia e água calma no Rio Novo, perto da Cachoeira da Velha (Foto: @temaiseme)

Boiar nos fervedouros

Os fervedouros são o motivo número um de viagem ao Jalapão. São poços de água cristalina com uma nascente no fundo: a água sobe com tanta pressão que o corpo não afunda, por mais que você tente. A sensação é de boiar numa piscina que empurra você para cima.

Fervedouro no Jalapão visto de cima, cercado de buritis
Fervedouro cercado de buritis, visto de drone (Foto: @temaiseme)

A região tem dezenas de fervedouros, e cerca de vinte estão abertos à visitação, quase todos em propriedades particulares que cobram entrada. Nós visitamos o Fervedouro do Ceiça, o primeiro a ser aberto ao turismo, o Fervedouro dos Buritis e o Fervedouro do Buritizinho.

Boiando em um fervedouro do Jalapão
Sentada na água do fervedouro, sem afundar (Foto: @temaiseme)

As regras são parecidas em todos: entram poucas pessoas por vez, o tempo dentro da água é limitado, em geral entre 15 e 20 minutos, e não é permitido entrar com protetor solar nem repelente. Também não se pisa na borda do poço, que é frágil. Em dias cheios, forma-se fila do lado de fora.

Fervedouro do Jalapão com escada de acesso
A escada de entrada de um dos fervedouros (Foto: @temaiseme)

Cachoeira do Formiga

A Cachoeira do Formiga fica perto de Mateiros, ao lado do Fervedouro do Buritizinho, e tem uma trilha curta até a água. É uma queda baixa que forma um poço de água verde-clara, cercado de mata. Dá para nadar no poço, e a entrada é paga.

Cachoeira do Formiga vista de drone, no Jalapão
A Cachoeira do Formiga e o poço de água verde, vistos de cima (Foto: @temaiseme)

Dunas do Jalapão

As dunas são o cartão-postal do Jalapão: montes de areia alaranjada no meio do cerrado, formados pela erosão do arenito da Serra do Espírito Santo, que aparece logo atrás. O fim de tarde é o melhor horário, quando a luz deixa a areia ainda mais laranja e a serra fica azulada no fundo.

Comunidade Mumbuca e o capim dourado

A Mumbuca é uma comunidade quilombola de Mateiros e o berço do artesanato de capim dourado, uma planta do cerrado com hastes que brilham como ouro. As artesãs costuram o capim com seda de buriti e fazem bolsas, cestos, chapéus, brincos e mandalas. Comprar direto delas é a melhor forma de a renda ficar na comunidade.

Dormir na Mumbuca foi o que diferenciou a nossa viagem: em vez de pousada, ficamos em casas de moradores que recebem visitantes. Esse formato é o da Rota Nativa, a agência criada pela Ilana, e é a nossa recomendação para quem quer algo além do roteiro padrão das agências de Palmas.

Uma das pessoas que conhecemos foi a Doutora, filha de dona Miúda, a rainha do capim dourado. Ela faz chás com ervas do cerrado e é uma espécie de curandeira da comunidade. Dá para acompanhar o trabalho dela no Instagram @doutora_mumbuca.

Doutora, moradora da comunidade Mumbuca no Jalapão
A Doutora, filha de dona Miúda, a rainha do capim dourado (Foto: @temaiseme)

O que mais fazer no Jalapão: atrativos que não fizemos

O Jalapão é grande e nenhum roteiro cobre tudo. Estes atrativos aparecem na maioria dos roteiros, mas ficaram fora do nosso. Contamos o básico para você decidir:

  • Serra do Espírito Santo: trilha até o platô, com vista das dunas e do cerrado lá de cima.
  • Pedra Furada: formação de arenito esculpida pelo vento, a cerca de 35 km de Ponte Alta do Tocantins. Fica no caminho para quem vem de Palmas.

Quantos dias para fazer o Jalapão

Com menos de quatro dias, você passa mais tempo no carro do que nos atrativos. O mais comum é ficar de quatro a seis dias, contando a ida e a volta de Palmas. Nós ficamos cinco dias e conseguimos ver o cânion, fervedouros, cachoeiras e dunas sem correria, com tempo para a comunidade.

Onde ficar no Jalapão

Mateiros é a base mais usada, por estar perto das dunas, dos fervedouros e da Mumbuca. São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins também têm pousadas, e muitos roteiros dormem uma noite em cada cidade. Para comparar preços, veja as pousadas em Mateiros no Booking.

A outra opção é dormir na comunidade, como fizemos. A estrutura é simples, de casa de família, mas a experiência compensa.

Dicas para fazer o Jalapão

Leve dinheiro em espécie

Sem sinal de internet, cartão e Pix nem sempre funcionam. Leve uma quantia em dinheiro para entradas, refeições e artesanato.

Celular e internet

O sinal é fraco ou inexistente em boa parte do Jalapão. Baixe o mapa da região para usar offline e avise a família de que vai ficar sem contato em alguns trechos.

Protetor e repelente na hora certa

Passe protetor e repelente depois do banho de fervedouro, nunca antes. Chapéu, camisa de manga comprida e óculos escuros ajudam a reduzir o protetor no corpo.

Não tente fazer o Jalapão de carro comum

As estradas de areia exigem 4×4 e experiência. Carro de passeio atola, e o socorro pode demorar horas.

Seguro viagem

O Jalapão fica longe de hospitais de referência, e qualquer emergência exige remoção. Para viagens de aventura no Brasil, um seguro com cobertura de remoção dá tranquilidade. Na Seguros Promo dá para comparar seguradoras e usar o cupom TEMAISEME5 para 5% de desconto.

Quer emendar outro destino de cerrado? Nós fizemos o Jalapão e a Chapada das Mesas, no Maranhão, na mesma viagem. Veja o nosso roteiro por lá.

Perguntas frequentes sobre o que fazer no Jalapão

O que fazer no Jalapão?

Para quem quer saber o que fazer no Jalapão, os principais passeios são boiar nos fervedouros, ver o pôr do sol nas dunas, nadar na Cachoeira do Formiga, subir a Serra do Espírito Santo e conhecer o artesanato de capim dourado na comunidade Mumbuca.

Qual a melhor época para ir ao Jalapão?

A seca, de maio a setembro, quando a água fica mais transparente e as estradas de areia ficam mais fáceis. Agosto e setembro são os meses mais secos e quentes.

Dá para ir ao Jalapão sem agência?

Dá, mas só com carro 4×4 e experiência em estrada de areia. O sinal de celular é fraco e muitos atrativos ficam em propriedades sem placa, por isso a maioria das pessoas vai com agência saindo de Palmas.

Quantos dias são necessários no Jalapão?

De quatro a seis dias, contando a ida e a volta de Palmas. Com menos tempo, a maior parte da viagem fica dentro do carro.

Pode usar protetor solar no fervedouro?

Não. Protetor solar e repelente são proibidos dentro dos fervedouros para proteger a água e a nascente. Passe depois do banho.

VEJA TAMBÉM

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

dez + 6 =

PUBLICIDADE