Plaza Constitución

Estávamos sentados num banco da Plaza Constitución após o almoço, tomando o nosso sorvete do Mc Donald’s (que aqui é de dulce de leche e não de chocolate) quando uma senhora se aproximou e me pediu um lugarzinho no banco.

Maria Helena é uma senhora que poderia facilmente ser avó de qualquer um de nós, e mesmo aparentando ter seus 70/80 anos não lhe falta lucidez. Ao pedir de volta o seu espaço no banco, me contou que tinha ido buscar um copo d’agua e deduzi que nesse meio tempo eu acabei me sentando onde ela estava, o que acabou nos proporcionando uma boa conversa.

Maria Helena era professora de matemática e como ela mesmo disse, ao contrário dos professores de hoje, gostava de ensinar os alunos, tinha prazer em faze-los entender o porque das coisas e não apenas decorá-las. Me confessou que nunca fez um aluno decorar a tabuada, os fazia entendê-la. Foi professora particular na maior parte de sua vida e sua grande paixão foi lecionar. Solteira e sem filhos, hoje vive sozinha com sua aposentadoria em um apto de 2 dormitórios há 1 quadra da Plaza.

Ao saber que éramos brasileiros, começou a tecer um milhão de elogios ao nosso país, sem saber ao certo a realidade, mesmo assim a ouvi com atenção. Primeiro me disse que os brasileiros são muito inteligente em contra partida aos uruguaios que são burros. Comentou a respeito da nossa medicina e que muitos uruguaios saem daqui para se tratar de câncer no Brasil. Em seguida comentou a respeito de sermos um casal, que hoje em dia aqui no Uruguai não se sabe muito bem o que é o que. Aparentemente Maria Helena não sabe lidar muito bem com o homossexualismo, infelizmente.

Como uma boa senhora católica, fez cara feia ao saber que não temos a mesma religião e soltou um tímido, porém audível, ‘por lo menos’ quando eu disse ter estudado em escolas católicas quando criança. Detalhou com exatidão as coisas que fazia na escola de freiras onde estudou, como bordado, canto, música, etc.

A conversou mudou de rumo quando me disse que estava ali esperando uma senhora com quem tinha conversado outro dia, que lhe traria uns papéis a respeito da respiração e de como respiramos errado. Comentei a respeito das aulas de ioga que fiz há muitos anos atrás e lhe disse que realmente a maioria das pessoas respiram errado. Empolgada com o assunto, Maria Helena me pediu que fizesse uma demonstração de como era e alegando não me lembrar mais acabei fugindo do assunto com a deixa de que estávamos atrasados.

Maria Helena foi uma boa companhia para aqueles momentos em que estivemos ali, sentados no banco da praça ouvindo histórias, assim como era antigamente.

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