As mazelas e a saia justa

Moramos na Casa Tatu. Sebastian, o dono, comprou um prédio de dois andares, reformou, resolver montar uma “casa” em cada andar e alugar todos os cômodos para que vem conhecer Montevideo. No térreo, quer fazer um art-pub. Na maioria do tempo nossa convivência é ótima e prazerosa. Mas exceções rolam, e essas situações são uma merda invariavelmente.

Como trabalhamos longe, é ainda madrugada quando relógio desperta às 6h30. A luta começa no café da manhã, quando mal temos espaço na cozinha para fazer um lanchinho matinal. A pia entupida de louça não lavada do dia anterior além de nos tirar espaço, força a lavar talhares e copos da malandragem que desencanou de limpar depois que usou. Dá-lhe!

Saímos para trabalhar. Na hora do almoço o uruguaio não almoça. Come petiscos ou junk que variam entre pão com manteiga e café/chá, bolacha, bife a milanesa com batata frita, entre outras coisas. A principal refeição é o jantar. Como para nós brasileiros a história é o contrário, se acostumar tem sido tarefa árdua. Trabalhamos em um projeto social que servia pão com manteiga e café/chá no almoço. Até para um apreciador dessa iguaria como eu, foi maçante comer isso durante mais de uma semana. Ao menos foi por uma boa causa ;]

Normalmente quando voltamos do trabalho estamos varados de fome. A grata surpresa é notar que a louça esta intacta, assim como vimos pela manhã. Porém nada é tão ruim que não possa piorar. Dessa vez, ainda temos que lavar panelas e frigideiras com aquelas comidas que grudam mais que chiclete, e vez ou outra precisamos enxaguar os pratos limpos. Por ser uma casa grande, que vive a não sei quanto tempo sem uma limpeza, o acumulo de pó aparece até nas maçanetas das portas.

A hora do banho é estratégia pura, digna da inteligência para formar os times no FIFA. Apesar de chuveiro a gás, uma pessoa não pode tomar banho logo em seguida da outra, pois o aquecedor não funciona. Precisa ter um intervalo de uns 20 minutos entre os banhos para que o segundo não tome banho com a água na temperatura do rio, ou seja, fria pra cacete. Um dia um toma banho antes da refeição, outro depois. Um toma quando chegamos em casa e outro antes de dormir. E quando falta a boa combinação não tem alternativa, o jeito é esperar. O respeito pelo intervalo é fundamental.

O fim do dia nos reserva a cereja no bolo. Temos um hospede especial em nossa casa. Invariavelmente ele sai da cama quando todo mundo já foi dormir, ou pelo menos quando o movimento na cozinha já cessou. Age sorrateiro. Não pode sentir o cheiro de comida que já se entusiasma para sair do buraco e registrar sua bocanhada. Felizmente ainda não encontrei-o pessoalmente, só ouvi histórias. Como sempre as mulheres exageram e os homens valentões fingem não dar importância. Por isso, para mim não passa de lenda.

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1 COMENTÁRIO

  1. É meus queridos, o difícil não e viver, difícil e conviver…..
    E vocês, tem sabedoria suficiente, pra tirar isso de letra .
    A torcida aqui e grande
    Amo vcs

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