A realidade da generosidade

Adriana é daquele tipo de pessoa que na falta de fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, faz umas dez. Há 15 anos fundou a ONG Ceprodih – Centro de Promoción por la Dignidad Humana – que ajuda na inclusão econômica de famílias (mães e filhos) com alto grau vulnerabilidade social com atividades diversas como acompanhamento psicológico,  profissionalização e empreendedorismo.

Apesar da queda da pobreza ano após ano no Uruguai, as mulheres são as que mais sofrem com a falta de medidas concretas de políticas públicas para melhorar suas condições de vida, assim como em grande parte dos países da América Latina. Segundo dados do governo, as mães de crianças com até 6 anos dedicam uma média de 57 horas semanais a atividades não remuneradas.

O CEPRODIH sente esse sofrimento. Trabalham exatamente com essas mulheres, que chegam na ONG com a auto estima lá embaixo por sofrerem violência doméstica, terem que criar seus filhos sozinhas ou pela falta de emprego. Quando Adriana vai bater na porta do governo ou de empresas para buscar apoio, esbarra na falta de atenção e descaso. Ela esbraveja dizendo que Pepe Mujica tem olhado apenas para os programas de distribuição de renda (aqui tem um Bolsa Família também). Pouco investem-se em programas que formação do cidadão, social e profissionalmente. Além disso, existem pouquíssimos incentivos fiscais para que o setor privado possa investir em projetos sociais.  Por aqui para se ter isenção fiscal fazendo uma doação pra uma organização, obrigatoriamente tem que doar pro Teleton. Doando para as demais a isenção fiscal não existe. Por outro lado, o Teleton é fundação, portanto eles pagam impostos.

A luta é difícil. Só para pagar o aluguel do prédio de cinco andares, localizado no centro velho da cidade, custa dois mil dólares, que para a realidade do país é muito dinheiro. Para mantê-lo funcionando a pleno vapor com a equipe trabalhando e os cursos profissionalizantes acontecendo regularmente, vai mais uma alta quantia.

Começar um negócio social no Uruguai é desestimulante muitas vezes. Falta apoio governamental e privado, falta tecnologia, falta agilidade e dinamismo. Mas para Adriana e sua equipe sobra dedicação, sobra alegria, sobra gentileza e vontade de mudar realidades. Isso as ajudam seguir caminhando e acreditando que podem transformar a vida de pessoas.

Essa esta sendo nossa primeira experiência com projetos sociais no Uruguai. O sorriso nos olhos e o encantamento de todas que trabalham no CEPRODIH e todas mulheres que são ajudadas de alguma maneira é contagiante. Começamos bem.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Essencial o trabalho do CEPRODIH. Interessante notar a disposição de pessoas como a Adriana em cumprir seu papel, ainda em que em condições extremamente adversas. Razão para crer no surpreendente poder de transformação que emerge da gente. Ótimo post!

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